sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BENDITAS

 ZÉLIA DUNCAN


"Benditas as coisas que não sei;
Os lugares onde não fui; 
Os gostos que não provei;
Os verdes inda não maduros;
Os espaços que ainda procuro; 
Os amores que nunca encontrei;
O amor não mente, não mente jamais 
O tempo escorre num piscar de olhos. 
Bom é não saber o quanto a vida dura, 
Ou se estarei aqui na primavera futura."

CONTOS AFRICANOS

 BRUNA E A GALINHA D´ANGOLA

http://www.youtube.com/watch?v=eqvqBT41lWY&feature=related

domingo, 11 de novembro de 2012

PUDIM DE ARTE BRASILEIRA


                                  Regina Silveira



2 Xícaras de olhar retrospectivo
3 Xícaras de ideologia
1 Colher, de sopa, de Ècole de Paris
1 Lata de definição temática, gelada e sem sôro
1 Pitada de exarcebação de cor
1 Índio, pequeno, ralado
Com o olhar retrospectivo e a ideologia prepare uma calda e quando grossa junte-lhe a Ècole de Paris, sem mexer. em repouso, bata um pouco a definição teática, junte-aos demais ingredientes e leve ao fogo em banho-maria em forma caramelada.
Cobertura para a Arte Brasileira
Misture 1.1/2 Xicara de função social com 5 colheres, de sopa, de vitalidade formal e leve ao fogo brando até dourar; retire do fogo, junte mais 2 colheres, de sopa, de jogos mercadológicos e sacuda um pouco a frigideira para misturar muito bem; não se deve mexer c/ a colher.
Deixe esfriar, cubra o pudim e sirva gelado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

FERIDOS E FEROZES


                                                     FERIDOS E FEROZES
                                  
Anjos da rua
Feridos e ferozes
Estão todos, muito
Na busca do Sucesso
Sob o “encanto” do prazer
Pedindo talvez que os matem...
Correndo pra Avenida
Correndo, correndo...
Correndo prá onde?
Nem sabem o por quê!
Quem sabe de si mesmos?
Por medo de sofrer
Quem sabe do Futuro?
Ferindo até sem ver
A pressa aponta a ferida
Que a Fera pensa não ter
Esquece a dor que mata
Não olha o que precisa ver
O menino que rola na estrada
Não sabe o que é ser bem-querer
Fecha os olhos, se lança e se mata
Pedindo pra não morrer!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ENERGIAS DOURADAS


A estrutura de tempo linear entre a formulação da intenção e a materialização é mínima agora. Esta janela de tempo está cada vez menor e menor a cada dia passado, e com a elevação de sua frequência e o aprimoramento de suas habilidades, agora vocês são capazes de trazer à sua realidade física as ferramentas essenciais de que vocês precisam para sobreviver nestes tempos tumultuados.


É através de seu próprio poder e FÉ, que vocês realizam os seus desejos mais profundos. Lembranças, realizações fantásticas e sim, suas habilidades de manifestação há tanto tempo enterradas agora são suas para assumir. 

 
Lembrem-se de que as leis da alquimia equilibram os dois lados, e nesta época de manifestações rápidas, vocês devem cuidar do que vocês desejam criar.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

DIA DAS BRUXAS


                    DIA DAS BRUXAS

Aquele dia estava infernal. Tudo dava errado. Era melhor nem ter saído da cama, da qual já levantou atrasada, tropeçou nas alpargatas e encontrou a quina da porta. Esbravejando e meio tonta Nana caminhou até o banheiro, que desagradavelmente a esperava. Seu irmão mais novo saíra mais cedo e passara por lá. Como amanhecera sem água, ele não se fez de rogado, liberou seus dotes estomacais e seguiu em frente sem prevenir a irmã. Irritada, de café tomado, pegou sua bolsa e uma sacola com lanche, livros e partiu pensando: - Não devia ter saído sem mantrar. Era famosa por suas simpatias e manias. Já na rua, longe da herança deixada pelo irmão, respirou grande, de peito aberto, na esperança de um dia frutífero. Não imaginava quantos abacaxis a esperavam. Pegou o metrô na intenção de chegar à praça Saens Pena, mas, apressada, não percebeu que o comboio seguia para a Pavuna. Entrou e começou a ler com zelos o Código de Deus, livro que lhe fora emprestado e muito recomendado. Distraída com a leitura, ansiosa que era por conhecimentos esotéricos, espirituais e simpatias e tudo mais, só foi perceber quando olhou para o lado e viu o estádio do Maracanã ficar para trás. Desceu na estação seguinte e aguardou o trem que voltaria para Central, onde poderia retomar seu caminho. Depois de tórridos minutos, pois o dia estava incandescente, entrou no vagão que seguia para zona sul. Desceu na estação de baldeação e não aguardou muito. Rapidamente novo comboio chegou e apressada entrou disputando a tapa, sem beijos, a porta com os que entravam e saiam. Qual não foi seu desgosto ao perceber que a primeira estação anunciada pelo condutor foi CIDADE NOVA. Novamente entrara no trem que seguia para a Pavuna. Quase teve um siricutico. Ia chegar muito atrasada para a consulta que há meses esperava. Aspirou todo ar que podia naquele momento de tensão, apreensão e desconforto, pois arfava pressionada entre o ferro e uma tremenda barriga, cujo portador suado e descuidado, comprimia contra ela. Desceu. Aguardou. Entrou. Desceu novamente na Central, mas, desta vez, buscou se certificar antes de entrar. Não queria incorrer no erro pela 3ª vez. Como uma atleta vitoriosa embarcou para a Saens pena. Uma gentil senhora ofereceu-se para segurar a sacola. A viagem foi rápida. Finalmente chegara. Adentrou o prédio onde encontrou imensa fila diante do elevador. Ansiosa, não conseguiu esperar pelo elevador. Correu pelas escadas prédio acima. Esqueceu o dedo na campainha até a enfermeira aparecer e com cara de poucos prazeres lhe informar: - Estava tentando te ligar, mas, seu celular estava dando desligado. A doutora não pode vir hoje. Teve um imprevisto de manhã. Aquilo era demais. Até agora nada tinha dado certo. Só então percebeu que, na pressa, deixara a sacola com lanche e o livro de tarot no colo da gentil senhora, que agora abominava. - Pra que deixei aquela bruxa segurar minha sacola? Como todo mundo, criticava no outro o que estava dentro dela precisando ser resolvido, absorvido, deglutido, implodido ou... NÃO FAÇAM MAIS NENHUMA RIMA. Pode não cheirar bem e a coisa já estava “fedida”. Desanimada seguiu para o trabalho. Invocando o mantra OM, OM, OM..., tentando resgatar o equilíbrio. Tinha deixado pilhas de serviço por terminar do dia anterior. Insano dia. Para completar seu desepero, logo que chegou ao escritório, percebeu que as flores que deixara sobre a mesa estavam murchas. As vibrações deviam estar baixas, deduziu. Não reparara que subira sozinha no elevador que estava sem o cabineiro. Imenso foi seu desespero ao perceber que o edifício estava sendo evacuado. O prédio geminado estava cedendo as rachaduras. Ameaçava desabar a qualquer instante. Do outro lado da sala um gaiato, bêbado, que se recusara a sair, gritou:
 - Você não é bruxa? Pega a vassoura na cozinha e VOOOOAAA. 
Caiu dura ali mesmo.
                                                                                                             (Marcia Tavares 30/10/12)

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